Sabiam ou recordam-se…
Sabiam ou recordam-se que o Edifício Sede do Grupo Espiríto Santo Viagens (parte Turismo do Grupo BES) teve duas sérias ameaças de bomba?


A primeira corria o 1º mandato do Sr. Engº José Sócrates como Primeiro Ministro de Portugal. A segunda ameaça de bomba, ocorreu já no mandato do Sr. Dr. Pedro Passos Coelho, em que se viviam os tempos da troïka.
Cerca de uma semana após a segunda ameaça de bomba – que não passou disso mesmo – um dia acordei antes do despertador tocar (coisa rara) e de repente pensei:
- Caramba, primeira ameaça, segunda ameaça de bomba, das duas vezes eu estava no Edíficio. E se houver uma terceira e for realmente a valer? E se eu estiver lá dentro?
Ainda sou muito nova para morrer… Não, não isto não está a ir bem.
E demais a mais, se a explosão for grande nem se consegue identificar os meus verdadeiros restos mortais, fico logo toda misturadinha com tudo. Isto não me está a parecer nada bem.
Vá, tem de se resolver miúda.
Isabel, disse de mim para mim, melhor ou pobre ou desempregada, ou que seja, mas vivinha da silva. O turismo não pode ser tudo. Foi duro, mesmo duro, muitas lágrimas cairam sem eu querer, teimosas.
Não me recordo a data exacta deste pensamento matinal. Foi a meio da semana, a uma quarta ou quinta-feira.
Hoje penso ainda de igual forma: tudo aquilo que coloca verdadeiramente a nossa existência em risco, física ou psicologicamente, e não faz parte de algo intrinsecamente nosso, não compensa insistir e continuar a caminhar pelo mesmo caminho. É uma pura perda de tempo e desperdício de energia. Non-sense!
A questão só é abordada reversamente se se trata de algo intrinsecamente muito nosso, quer seja material ou não.
Então e se for algo mesmo muito nosso? Que fazer IA? Que fazer Universo cintilante?
Ficar quieta, calada, cruzar os braços, tremer de medo e voltar as costas como uma cobarde?
Ou lá porque se é do sexo feminino, ou porque já se é entradota, mas sem ser, claro (a julgar pela idade da reforma neste país) ou porque se é lerdinha, nem sequer se tem uma licenciatura ou porque se está nervosa (esta é outra muita gira, é uma benesse da condição feminina em Portugal, típica da mentalidade machista portuguesa: aos homens não oiço ninguém dizer que estão nervosos – e às vezes até estão mesmo – só às mulheres) ou até porque se é diferente, textualmente em bom português, porque se é maluca? (neste país confunde-se muito diferença com loucura, mas é porque somos pequeninos, não faz mal)
Porquê? Em nome da preservação da minha existência, ou do meu bom nome como cidadã e pessoa que evidentemente sou, ou em nome de um Deus Maior e Misericordioso?
” Senhor, perdoai-lhes, por que não sabem o que fazem.”


